sexta-feira, 4 de maio de 2012
alerta defeito
descobri um defeito meu. um defeito feio, do qual, confesso, tenho alguma vergonha.
percebi que, infelizmente, tenho a mania que tenho de ser a melhor em tudo. obviamente não o sou, mas há um gostinho maléfico qualquer em saber que sou a única a fazer bem, ou em saber que sou aquela que faz melhor alguma coisa.
é triste, não é ?
só de mim
agora fiquei com inveja. inveja de quem escreveu isto. e depois, olha, depois chorei. porque às vezes dá-me para estas coisas.
realização ana luísa bairos
quinta-feira, 3 de maio de 2012
coisas que me inspiraram
vou contar-vos uma história que me contaram hoje, numa palestra sobre o respeito necessário para com todas as pessoas, a propósito do comércio justo. o texto é grande, mas com certeza não será difícil de ler.
nos anos setenta, uma professora de meninos de dez anos decidiu chegar à sala de aula, um dia, e dizer-lhes assim, com ar muito sério:
- meninos, tenho aqui um decreto lei vindo da américa. e neste decreto lei diz que os meninos de olhos castanhos não são tão inteligentes como os que têm olhos claros e, como tal, tenho de lhes pôr uma coleira, para que se possam distinguir dos outros.
e assim o fez, colocou a coleira nos alunos de olhos castanhos e deixou todos os meninos ir ao intervalo.
sabem o que é que aconteceu no intervalo? ora pois claro, houve porrada entre todos os meninos, uns porque se gabaram de ser os mais inteligentes, outros - e estes em maior número, claro está, porque estamos em portugal onde a cor de olhos predominante é o castanho - porque não gostaram de ser humilhados pelos colegas.
no dia seguinte a professora deu um teste, que todos os meninos fizeram.
sabem quem teve melhores notas?
aqui devo dizer-vos que a plateia onde eu me incluia que estava a assistir à palestra, respondeu quase unanimamente:
- os meninos de olhos castanhos tiveram melhores notas.
ao que o orador respondeu:
- pois é, vocês, como eu, responderam com o coração. quiseram fazer justiça para com aqueles que foram humilhados (já para não falar que a maioria de vocês têm olhos castanhos e não ia gostar de se sentir assim). o problema é que quem tirou melhores notas foram os meninos de olhos claros.
porque assim que marcamos alguém negativamente, essa pessoa vai ter menos alento para fazer algo de positivo. a maioria dos meninos de olhos castanhos nem sequer se esforçou para tirar uma boa nota, porque, segundo o decreto lei, eles não eram tão capazes como os outros, de olhos claros.
mas nós todos sabemos que isso é mentira, não é? a cor dos olhos não determina a inteligência das pessoas. e, como tal, a professora teve de desfazer o problema.
passados uns dias, chegou à sala de mãos na cabeça, com um ar muito assustado e arrependido e disse:
- meninos, eu fiz uma grande asneira. perdoem-me! é que eu percebi mal o decreto lei. os meninos mais inteligentes são os que têm olhos castanhos. os meninos de olhos claros são menos capazes.
dito isto, retirou as coleiras aos meninos de olhos castanhos e colocou-as nos meninos de olhos claros.
quando foram para o intervalo, sabem o que aconteceu?
pois é, houve mais uma vez porrada. porque os meninos de olhos castanhos vingaram-se dos colegas que os tinham humilhado.
e sabem que mais? no dia seguinte, quando a professora voltou a entregar testes, os meninos de olhos castanhos tiraram melhores resultados que os de olhos claros.
isto tudo, para dizer que somos todos iguais,e tanto para o bem, como para o mal. sejamos nós de que cor formos. havemos sempre de tentar magoar quem nos magoou, e exultar quem nos quer bem. a maioria funciona assim.
e, é claro, o mundo funciona por maiorias. mas todas essas maiorias, começaram, um dia, por uma minoria que teve de se afirmar.
saibam vocês que as expressões que mais
vos agradarem neste texto são da autoria,
com quase toda a certeza, de um senhor que
a minha professora de filosofia teve a bondade
de trazer à minha escola, hoje, para fazer uma palestra sobre
comércio justo.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
os maridos das outras
ontem a minha mãe descobriu esta música. disse-me ela, depois de algum tempo:
sabes, estive a pensar e não encontro outro marido que seja melhor que o meu. o teu pai não tem comparação. os maridos das minhas amigas são todos uns "cocós", coitadas.
sou obrigada a concordar com ela. eu também não conheço melhor marido que o meu pai - talvez só o meu tio se equipare a ele.
e sem dúvida não há nenhum casal mais firme que os meus pais. digam vocês o que disserem, pensem vocês o que pensarem. eles os dois sim, eles os dois são uma equipa. como um dia eu quero ser.
terça-feira, 1 de maio de 2012
f de f(uck)ilosofia II
agora obrigaram-me a falar de política. a sério, era só o que mais me faltava. e ainda para mais, tenho de fazer um organograma conceptual - ou seja, nem escrever muito posso.
esta minha relação com a filosofia está a tornar-se cada vez mais de amor-ódio - com inclinação ligeira para o segundo.
e para rematar, neste aspeto da política, tudo o que for non-gandhi, dá-me a volta a barriga.
era só isto.
a felicidade nas pequenas coisas
desde que comecei a pensar mais na minha vida - assim naqueles pequenos espaços de tempo que tenho reservados à minha sanidade mental, como por exemplo, o banho ou a hora de acordar, enquanto me visto e me arranjo - dizia eu, desde que comecei a pensar mais na minha vida, tenho percebido a importância das pequenas coisas e da felicidade que nelas reside.
cada vez menos quero ser feliz à custa de grande utopias. faz-me aflição que, nestes tempos de crise, se continue a pensar em grandes férias, dias e dias de compras desenfreadas, jantares e almoços e lanches e cafezinhos fora, todos os santos dias, como se de lordes nos tratássemos.
lembro-me de ser miúda e ter a mania das grandezas. o meu pai dizia-mo, muitas vezes, que eu tinha a mania das grandezas - às vezes ainda diz, e se calhar às vezes ainda tenho, mas isso é outra história, já que estou a melhorar.
vejo, cada vez mais nas pequenas circunstâncias da vida, a beleza que a vida tem. em vez de uma semana enfiada num hotel, uma ida à praia, que fica aqui mesmo ao meu lado, quando quero e bem me apetece - e, bem, de borla! em vez de compras todas as semanas - o que me custa, confesso, que pelo meu ser mais interior e selvagem, estourava tudo o que tinha e o que não tinha em roupa e decoração, acessórios de cozinha e livros - dizia eu, em vez de compras todas as semanas, compras quando se pode e, olha, menos compras, que há tanta coisa em casa que pode ser reutilizada.
e em vez de almoços fora, jantares fora, lanches fora - qual tia, qual quê - aprender a cozinhar, aprender a distinguir os melhores temperos, o que melhor faz à saúde - e o que menos bem faz, também.
vejo nas coisas simples da vida, a beleza que a vida tem. é importante sonhar, mas mais importante ainda é conseguir reconhecer a ténue linha que vai do sonho, à utopia; do sonho à realidade.
e perceber que, saltar do sonho para a utopia, salta-se dando um passo pequenino; do sonho à realidade, salta-se trabalhando e persistindo.
mas da utopia à realidade o fosso é grande. e não me lembro de ter visto alguém a sair dele.
isto é que foi filosófico, hein?
quarta-feira, 25 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
O amor é paciente e prestativo; não é invejoso, não se ostenta nem é orgulhoso, nada faz de inconveniente. O amor não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com uma injustiça mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor é eterno.
1ª carta aos coríntios 13:4-8
mariza - afterwords
eu não quero acreditar nisto que vos vou dizer, mas, até hoje, este concerto da mariza foi, sem dúvida o melhor a que já assisti - e eu já tive o privilégio de assistir a alguns.
mesmo estando no lugar de pobres que estava - quem me dera a mim ter dinheiro para gastar 150€ em bilhetes e estar na primeira fila a ouvi-la e aplaudi-la - foi, sem sombra de dúvidas, um grande, grande concerto.
foi pena não ter cantado o oxalá, mas pronto, a performance no barco negro já foi para mim um enorme - gigantesco consolo de se ouvir e ver.
estou extasiada!
mesmo estando no lugar de pobres que estava - quem me dera a mim ter dinheiro para gastar 150€ em bilhetes e estar na primeira fila a ouvi-la e aplaudi-la - foi, sem sombra de dúvidas, um grande, grande concerto.
foi pena não ter cantado o oxalá, mas pronto, a performance no barco negro já foi para mim um enorme - gigantesco consolo de se ouvir e ver.
estou extasiada!
domingo, 15 de abril de 2012
mariza
proxima sexta feira, como boa filha que sou, vou ver a mariza ao coliseu do porto. ofereci os bilhetes ao meu pai, de prenda de anos e, como é óbvio, não o podia deixar ir sozinho. vamos os dois, mais a minha mãe e uma amiga.
estou entusiasmada com o concerto. afinal, trata-se da mulher que levou o fado moderno até todos os cantos do mundo e mais algum. e que recentemente teve um filho e casou - julgo eu que por esta ordem. e, sou sincera, já há muito que a admiro. este concerto será uma grande oportunidade.
estou entusiasmada com o concerto. afinal, trata-se da mulher que levou o fado moderno até todos os cantos do mundo e mais algum. e que recentemente teve um filho e casou - julgo eu que por esta ordem. e, sou sincera, já há muito que a admiro. este concerto será uma grande oportunidade.
barco negro (original de amália rodrigues)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
quero, quero, quero
quem me conhece, sabe: eu, sou uma viciada em livros, letras, palavras e expressões. e, principalmente quando tenho mais tempo - como nas férias - o que eu gosto mesmo de fazer é ler, seja o que for, quando for e em que sítio eu estiver.
Ontem fui ao arrábida shopping e estive na book house a ver as novidades. assim que me deparei com este livro, nunca mais quis outra coisa.
Ontem fui ao arrábida shopping e estive na book house a ver as novidades. assim que me deparei com este livro, nunca mais quis outra coisa.
e, ainda para mais é de um autor italiano. nunca me desiludiram, os autores italianos.
acho que o vou ler num instante!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
panquecas
hoje vou fazer panquecas para o lanche, uma vez que descobri que tenho uma máquinha própria com formas e tudo. foi a minha avó quem comprou aquilo há uns anos atrás, através dos anúncios de televendas e ofereceu à minha mãe. nunca foi estreada.
hoje, é o dia.
terça-feira, 3 de abril de 2012
sobre o ginecologista
fui ao ginecologista, hoje, pela primeira vez. e devo dizer que não concordo nada com o facto acima descrito. adorei o meu ginecologista homem e maduro. deve ter aí os seus cinquenta anos. É meiguinho e experiente - dito assim soa muito mal - e estava acompanhado de uma enfermeira mesmo simpática.
pedi-lhe para tomar a pílula. ele lá me esteve a fazer os exames necessários, e as perguntas e, no final, já com a pílula prescrita disse-me que não tinha colocado o nome comercial na receita para o caso de eu não querer dizer à minha mãe que estava a tomar a pílula. disse-me que podia dizer que era uma espécie de tratamento para o acne. depois, pediu-me para, no caso de ter relações sexuais durante este mês - até ao dia da minha próxima menstruação que, deus queira, esteja longe:
- usa sempre preservativo e não vás nas cantigas dos rapazes... no "ah e tal, é só a cabecinha" ou "sou muito experiente e controlo isso muito bem!", que é tudo mentira. quando eles acham que vão controlar, já é tarde demais.
para além disso foi querido e, como lhe disse que estava a pensar seguir medicina para ser obstetra e ginecologista como ele, esteve a mostrar-me, através de ecografia, o meu sistema reprodutor. e explicou-me que:
- obstetrícia é uma dor de cabeça e faz muitos cabelos brancos. olha só para os meus!
e pensar que, há cinco horas atrás, estava mais nervosa que uma noiva em manhã de casamento.
ai vou, vou
descobri hoje a pedra filosofal das boas crónicas. aquela revista com a qual tanto sonhei, debaixo do chuveiro. aquela que, para já, se tornou o meu objetivo.
ele são crónicas do josé luís peixoto, do ricardo araújo pereira, do antónio lobo antunes. pronto, está feito.
anuncio hoje que, algures na minha vida, eu vou escrever para a visão. ou não tenha eu o nome que tenho.
Na altura, eu
era uma menina com o coração demasiado perto das mãos. Havia quem o tivesse
colado ao céu-da-boca, e o deitasse cá para fora em altos momentos de poesia
urbana. Eu, só de pensar em falar o que escrevia para o público, tremia da
cabeça aos pés. Falava de tudo, sobre qualquer coisa, em que circunstância
fosse – faltavam-me as papas na língua – mas criar, assim, em direto; expor o
que cá por dentro ia, só no papel, que falava por si e por mim e por todos
aqueles que faziam parte da minha vida.
do amor para sempre
quando era miúda ficava impressionada com os casais jovens. a alegria que eles transmitiam no olhar, o dar as mãos tão natural, os beijos na rua, não olhando a meios ou locais para expressar o calor que dentro deles eu sentia que ia. as caras frescas e lindas. sem imperfeições. ela magra e ele alto e tonificado. os cabelos brilhantes, as unhas pintadas, a barba por fazer, o estilo dela - sereno e impassível - e o dele - descontraído e, ao mesmo tempo, quase que propositado, empenhado.
mas fui crescendo e percebi que tudo isso a que eu dava tanto valor, parecia falso.
a maior parte de nós, jovens, sabe lá o que é estar com alguém. melhor dizendo, eles sabem o que é estar com alguém. só não tiveram tempo de perceber o que realmente significa amar alguém o suficiente para que tanto a alegria como a vontade de ficar com a mesma pessoa durante o resto da vida, não os abandonem, ao fim de duas semanas ou três.
não estou, claro está, a dizer que sei mais do que o resto da minha geração, ou que sei mais do que todos aqueles que pela minha situação já passaram sabiam, na altura.
mas o tempo passou e aquela devoção que tinha aos casais jovens - especialmente àqueles que se iriam casar em breve, que, para mim, estavam a chegar à parte "e viveram felizes para sempre" da sua história - acabou também por dar de si.
quando olho o mais fundo de mim, cá por dentro, a única parte que está fechada e raramente vê a luz do dia diz-me que, razão para ficar impressionada, são os casais mais velhos.
esses que passaram todas as fases e a quem só falta saber o sabor da perda e da morte. esses que se mantiveram fieis a um companheiro de viagem e que, muitas vezes, não chegaram a conhecer qualquer outra oportunidade - porque até nem queriam.
esses, que ainda guardam a alegria no olhar, mesmo depois de trinta, quarenta ou cinquenta anos juntos. que, às vezes - só às vezes - ainda dão as mãos, sem que ninguém veja e, sem que ninguém veja ainda se beijam e se amam como da primeira vez. os casais maduros, que conhecem as suas imperfeições e aprenderam a aceitá-las e a amá-las. os dois baixos e corcovados. já não mais na melhor forma. os cabelos brancos, às vezes inexistentes. ainda as unhas pintadas, ainda a barba por fazer. o estilo dos dois, fundido num só - aquele de quem já viveu tanto e tanto tem para contar ao mundo.
e, quanto mais cresço, quando mais vivo - em pequenas quantidades, claro está - quanto mais aprendo, mais valor lhes dou.
desejo cada vez mais aprender a envelhecer com ele.
cumprir os votos.
fazer valer a promessa que lhe faço, a cada "amo-te" que lhe digo.
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